sexta-feira, 13 de abril de 2018

O resumo como aliado na difusão do artigo científico




Por Laeticia Jensen Eble* 

Entre as partes do artigo científico, o resumo é um elemento que por diversas vezes não recebe a merecida atenção dos autores. No entanto, é considerado por muitos manuais de redação científica como a parte mais lida do artigo científico depois do título,1 e o parágrafo mais importante do artigo científico, na medida em que é por meio dele que o leitor terá seu  primeiro contato com um artigo e decidirá se vale a pena ou não ler o trabalho inteiro.2
É preciso ter em mente que o resumo é como um cartão de visitas para o artigo. Se você quer que seu artigo aumente exponencialmente as chances de ser lido, especialmente no mundo virtual, é preciso entender sua função e dedicar um tempo especial a esse pequeno exercício de síntese.
Atualmente, a maioria dos periódicos publica on-line e disponibiliza seus artigos por meio de repositórios digitais, resumidores e indexadores. Assim, é importante saber que os metadados do artigo (dados que oferecem a descrição bibliográfica do documento) oferecem as informações necessárias para a recuperação dos artigos e a dinamização do acesso, em meio ao grande volume de trabalhos disponíveis.
A boa descrição dos dados referentes a um documento é um dos princípios norteadores da ciência aberta. Quanto maior precisão nesses elementos, maior a probabilidade de que o artigo seja encontrado pelos sistemas de busca e seja acessado pelo pesquisador interessado naquele tema. Desse modo, verifica-se que um resumo bem elaborado aumenta a difusão e o potencial de citação do artigo. O alinhamento do título com o artigo, a seleção precisa das palavras-chave e a organização objetiva das informações no resumo são ferramentas que os autores têm a seu favor para conseguir um “lugar ao sol” em meio à infinidade de conteúdos que domina o mundo digital hoje.
Nesse sentido, por exemplo, não é ao acaso que os periódicos limitam a quantidade de palavras nos artigos. Isso se deve, em parte, por uma questão de custo-benefício e por critérios estabelecidos pelos serviços de sumarização, que necessitam de resumos ajustados a sua base de dados. Considerando que muitos desses serviços restringem a oferta de dados apenas ao título e ao resumo dos artigos (remetendo então o leitor interessado ao site oficial do periódico), o limite de palavras é uma condição que deve ser respeitada, visto que resumos maiores que o recomendado terminam sendo cortados.
Um bom resumo deve trazer em si a essência do texto a que se refere, sendo fiel a este, ou seja, informando com exatidão o propósito e o conteúdo do artigo, e evitando trazer informações que não apareçam no corpo do manuscrito.2, 3 Ao preparar seus resumos, os autores devem estar atentos ao formato especificado pelo periódico ao qual pretendem submeter seu trabalho, visto que pode haver diferenças entre as normas de cada revista. Além dos autores, os editores do periódico ao qual o manuscrito foi submetido também devem se preocupar em garantir que haja coerência entre o resumo e o texto. Um resumo que não é coerente com o artigo, certamente será devolvido aos autores para reformulação por ocasião da avaliação por pares.
De acordo com Mauricio Gomes Pereira (2014, p. 168), em relação ao conteúdo, há dois tipos de resumo: indicativo ou informativo. Já no que se refere à forma de apresentação, o resumo pode ser classificado como narrativo ou estruturado. O Quadro 1 apresenta uma síntese das características de cada um.

Quadro 1 – Tipos de resumo de artigo científico


Em relação ao conteúdo
Resumo indicativo (ou descritivo)
Aponta para o que trata o artigo, incluindo a finalidade, o alcance ou a metodologia, mas não os resultados, as conclusões ou as recomendações; empregado em certas categorias de comunicação científica, como atualizações, pontos de vista e revisões não sistemáticas; não é apropriado para artigos originais.
Resumo informativo
Contém a essência do artigo, abrangendo a finalidade, o método, os resultados e as conclusões ou recomendações; expõe detalhes suficientes para que o leitor possa decidir sobre a conveniência da leitura de todo o texto; modalidade requerida para artigos originais, revisões, especialmente as sistemáticas, e relatos de caso.

Em relação à forma de apresentação
Resumo narrativo (tradicional, convencional, livre ou não estruturado)
Apresenta as informações em texto corrido em geral, em um só parágrafo.
Resumo estruturado
Subdividido em seções ou parágrafos, em que cada qual revela um aspecto relevante do artigo. Cada subdivisão tem um título, que funciona como orientação para facilitar a leitura.
Fonte: Pereira (2014, p. 168).


Na área de Ciências da Saúde, a maioria dos periódicos trabalha com a modalidade de resumo informativo estruturado, em atenção às recomendações do Comitê Internacional de Editores de Periódicos Médicos (International Committee of Medical Journal Editors – ICMJE),4 também conhecidas como normas Vancouver. Esse tipo de resumo funciona como uma “miniatura” do artigo, oferecendo igualmente a divisão em objetivo, métodos, resultados e conclusão. Alguns periódicos adotam ainda uma seção a mais, a introdução (Quadro 2).

O resumo estruturado apresenta inúmeras vantagens tanto para os autores, quanto para os editores e leitores, a quem, afinal, o artigo se destina. Para os autores, ele pode funcionar como um norte na elaboração do artigo; para os editores, ele pode ajudar na detecção de erros metodológicos ou da falta de informações adequadas sobre a pesquisa; e, para os leitores, pode contribuir para facilitar a apreensão do texto.1

Quadro 2 – Seções do resumo informativo estruturado

Item
Conteúdo
Introdução
Situa o estudo em relação ao contexto em que se insere.
Objetivo
Apresenta de forma sucinta a proposta do artigo ou a questão formulada pela pesquisa.
Métodos
Aponta, entre outros, tipo do estudo, base de dados utilizada, participantes, recorte espacial/temporal e/ou materiais utilizados.
Resultados
Informa o(s) principal(is) achado(s) do estudo.
Conclusão
Apresenta inferências ou implicações levantadas pela pesquisa. 

Vale ressaltar, no entanto, que um resumo não é mera repetição de frases pinçadas do texto. Os autores podem se valer de trechos retirados do corpo do texto, mas devem ter o cuidado de reelaborá-los, a fim de adequá-los ao tamanho e à função do resumo.
Por fim, para auxiliar na elaboração do resumo, os autores podem fazer uso de checklists disponibilizados em manuais de redação. No box a seguir, deixamos a sugestão de alguns pontos a serem verificados antes de enviar seu artigo para uma revista.


O resumo...
1) apresenta de forma clara qual é o tema do artigo?
2) apresenta de forma clara qual é o objetivo do artigo?
3) informa de forma breve como a pesquisa foi realizada?
4) aponta de forma concisa os achados e sua relevância?
5) indica a discussão proposta pelo artigo?
6) não apresenta informações contraditórias em relação ao artigo?
7) está bem redigido de acordo com a norma culta da língua?
8) obedece o limite de palavras estabelecido nas normas da revista?
9) é compreensível para o leitor?
10) é capaz de atrair o interesse do leitor para o artigo?


Referências

  1. PEREIRA, Mauricio Gomes. Artigos científicos: como redigir, publicar e avaliar. Rio de Janeiro: Guanabara; Koogan, 2014.
  2. SILVA NETO, Norberto Abreu. Sobre o parágrafo mais importante do artigo científico. Psic.: Teor. e Pesq., Brasília, v. 15, n. 3, p. iii-iv, dez. 1999. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/ptp/v15n3/01.pdf>. Acesso em: 13 abr. 2018. 
  3. PEREIRA, Mauricio Gomes. O resumo de um artigo científico. Epidemiol. Serv. Saúde, Brasília, v. 22, n. 4, p. 707-708, out.-dez. 2013. Disponível em: <http://scielo.iec.gov.br/pdf/ess/v22n4/v22n4a17.pdf>. Acesso em: 13 abr. 2018. 
  4. ICMJE – International Committee of Medical Journal Editors. Recomendações para a elaboração, redação, edição e publicação de trabalhos acadêmicos em periódicos médicos. Tradução de Eliane de Fátima Duarte. Epidemiol. Serv. Saúde, Brasília, v. 22, n. 4, p. 709-732, out.-dez. 2013. Disponível em: <http://scielo.iec.gov.br/pdf/ess/v22n4/v22n4a18.pdf>. Acesso em: 13 abr. 2018. 

* Laeticia Jensen Eble – servidora do Ministério da Saúde (MS), integra a Secretaria Executiva da RESS. É bacharel e licenciada em Letras, mestre e doutora em Literatura e Práticas Sociais pela Universidade de Brasília. Pesquisadora do Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea, também é editora da revista Estudos de Literatura Brasileira Contemporânea e da revista Veredas, da Associação Internacional de Lusitanistas. É membro da Brazilian Studies Association, da American Portuguese Studies Association e da Associação Internacional de Lusitanistas. 














sexta-feira, 6 de abril de 2018

Dia mundial da atividade física

Photo by Robert Collins on Unsplash


Hoje, 6 de abril é comemorado o Dia Mundial da Atividade Física. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a inatividade física é um dos principais fatores de risco para morte prematura por doenças não transmissíveis.  Por outro lado, a atividade física regular está associada à redução dos riscos de doença cardíaca, diabetes e câncer de mama e cólon, e com melhoria da saúde mental e qualidade de vida. 


Em dezembro de 2017, o corpo executivo da OMS, divulgou uma proposta para preparar um relatório e um projeto de plano de ação sobre atividade física 2018-2030: Atividade física para a saúde (Physical activity for health) 
Além de apresentar a situação atual da atividade física, este documento sinaliza quatro objetivos estratégicos, a saber:  

  1. Criar uma sociedade ativa - normas e atitudes sociais; 
  1. Criar ambientes ativos - espaços e lugares; 
  1. Criar pessoas ativas - programas e oportunidades; 
  1. Criar sistemas ativos - governança e facilitadores de políticas. 


Neste sentido, selecionamos seis artigos publicados na RESS que abordam a atividade física e apresentam informações pertinentes aos objetivos estratégicos. 

 Prática de atividade física e hábito de assistir à televisão entre adultos no Brasil: pesquisa nacional de saúde 2013 apresentou a prevalência de adultos ativos.  22,5% dos adultos atingiram as recomendações de atividade física no lazer, sendo esse percentual de prevalência maior entre homens e residentes na área urbana; 31,9% eram ativos no deslocamento e 46% insuficientemente ativos; a proporção de adultos que assistia à televisão por três ou mais horas/dia foi de quase 30%. 

 Reprodutibilidade e validade de um questionário de avaliação do nível de atividade física e comportamento sedentário de escolares de 10 a 13 anos de idade, Distrito Federal, Brasil, 2012Os resultados  mostraram que o questionário desenvolvido para a avaliação da atividade física e comportamento sedentário nas idades compreendidas, apresenta validade satisfatória e boa reprodutibilidade, o que o capacita a ser utilizado em estudos epidemiológicos, preenchendo assim uma lacuna nas investigações de hábitos de atividades físicas de escolares dessa faixa etária.


Fatores associados aos componentes de aptidão e nível de atividade física de usuários da Estratégia de Saúde da Família, Município de Botucatu, Estado de São Paulo, Brasil, 2006 a 2007. Este estudo transversal avaliou os níveis de atividade física, informações demográficas, socioeconômicas e estado de saúde, composição corporal, flexibilidade de tronco e força de preensão manual entre os 394 usuários da ESF entre 35-85 anos de idade. 

Padrão de atividade física em adultos brasileiros: resultados de um inquérito por entrevistas telefônicas, 2006  este estudo descreve as características do padrão de atividade física da população adulta das capitais de estados brasileiros e do Distrito Federal. O perfil de atividade física é insatisfatório em todas as cidades, o que determina a necessidade de mais esforços no estímulo à prática da atividade física.

A política Nacional de promoção da saúde e a agenda da atividade física no contexto do SUS este artigo  aborda a institucionalização da promoção da saúde com a aprovação da Política Nacional da Promoção da Saúde, e a escolha da temática da atividade física – práticas corporais como uma de suas prioridades.  

Análise da estratégia global para alimentação, atividade física e saúde, da Organização Mundial da Saúde este artigo realiza uma classificação das evidências  em convicente, provável, possível e insuficiente. Ressalta a projeção para as próximas décadas um crescimento epidêmico das doenças não transmissíveis. Destaca que a Estratégia Global da OMS é um grande esforço em prol da Alimentação, Atividade física e Saúde Pública. 

Por Juliana Reis - Doutoranda em Saúde Pública e Meio Ambiente, da Escola Nacional de Saúde Pública, Fiocruz. 

quinta-feira, 15 de março de 2018

1º Ciclo de Estudos de 2018 apresenta tema relacionado à saúde da mulher

"Saúde Brasil 2017: os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e indicadores relacionados à Saúde da Mulher" será o tema do primeiro Ciclo de Estudos de 2018, no dia 23 de março. O evento, realizado pela Secretaria de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde, acontecerá no auditório do Edifício PO 700, entre 15h e 17h, com transmissão ao vivo pela internet.
Entre os temas que serão discutidos está a adequação do pré-natal e indicações de cesária por grupo de risco epidemiológico e questões sobre estupro e gravidez de adolescentes no Brasil. Na oportunidade será apresentada uma análise de dados, entre 2000 e 2015, sobre a mortalidade materna no Brasil.

quarta-feira, 14 de março de 2018

Cadastro de pareceristas


A revista Epidemiologia e Serviços de Saúde (RESS) convida os interessados a colaborar como avaliadores de manuscritos.

A RESS é um periódico científico, de acesso livre, editado pela Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (SVS/MS). A revista está indexada em: Medline, SciELO, Scopus, ESCI/WoS  Lilacs, entre outros.

PRÊMIO JOVEM PESQUISADOR BRASILEIRO DE DESTAQUE NO BRASIL


“Medalha Ruth Nussenzweig”

Escopo

O prêmio (“Medalha Ruth Nussenzweig”) será concedido ao jovem pesquisador brasileiro (até 10 anos de doutorado) que tenha realizado contribuições para o estudo de malária. O objetivo não é premiar teses de doutorado recém-defendidas, mas jovens pesquisadores que venham se destacando na área. Sendo, assim as candidaturas devem se restringir àquelas que efetivamente representem uma contribuição de significativo impacto na área. 


quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

VII Reunião Anual do SciELO


Por Laeticia Jensen Eble* 

No dia 12 de dezembro de 2017, na Fapesp, em São Paulo (SP) aconteceu a VII Reunião Anual do SciELO, que contou com a presença de editores e membros das equipes editoriais dos periódicos do Brasil que compõem a coleção SciELO Brasil. A RESS esteve presente com a participação da editora-executiva, Elisete Duarte, e Laeticia Jensen Eble, da equipe editorial.

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Aplicação do ORCID em artigos científicos



Por Laeticia Jensen Eble* 

Atualmente, é uma tendência mundial que as revistas científicas indiquem o ORCID dos autores nos artigos. Esse recurso permite confirmar a autoria de um trabalho, para que esta seja atribuída corretamente, e aumenta a visibilidade da produção de determinado autor. A partir da primeira edição de 2018, a revista Epidemiologia e Serviços de Saúde passará a incluir o número ORCID (Open Researcher and Contributor ID) dos autores em seus artigos. Por isso, resolvemos publicar aqui no blog um tutorial para auxiliar os autores na tarefa de criação do seu ORCID. Confira as dicas a seguir.