quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

VII Reunião Anual do SciELO


Por Laeticia Jensen Eble* 

No dia 12 de dezembro de 2017, na Fapesp, em São Paulo (SP) aconteceu a VII Reunião Anual do SciELO, que contou com a presença de editores e membros das equipes editoriais dos periódicos do Brasil que compõem a coleção SciELO Brasil. A RESS esteve presente com a participação da editora-executiva, Elisete Duarte, e Laeticia Jensen Eble, da equipe editorial.
O programa da VII Reunião Anual do SciELO de 2017 teve como foco fazer um balanço dos avanços no impacto dos periódicos do SciELO Brasil e apresentar as inovações que vêm ocorrendo na área de publicação científica e serão implementadas pelo SciELO em 2018.
O programa completo está disponível no site de Eventos do SciELO.
Após uma breve apresentação dos dirigentes da Fapesp, o prof. Abel Packer, diretor do Programa SciELO/Fapesp apresentou dados relevantes sobre o desempenho dos periódicos do SciELO, por área de foco.
A Saúde mostra-se como área de maior presença na base, com um total de 30% do conteúdo publicado, do qual um total de 88% dos artigos é considerado citável.
No que se refere às citações concedidas, na área de Ciências da Saúde, a maior parte das citações (83%) é de artigos em periódicos (Foto 1).

Foto 1


Quanto às citações recebidas entre 2014 e set. de 2017, estas representam um volume grande, mas, considerando-se que o total de artigos publicados também é grande, o índice de citações ainda está bem abaixo de seu potencial (Foto 2).

Foto 2


No aspecto da internacionalização dos periódicos, Abel trouxe gráficos que demonstram a projeção dos periódicos no que se refere à publicação de artigos em inglês. Na área de Saúde, pode-se dizer que a publicação bilíngue tem se mantido estável, e tem havido um crescimento entre os periódicos que publicam exclusivamente em inglês (Foto 3).

Foto 3


Avançando sua apresentação acerca dos projetos do SciELO que visam acompanhar as tendências do cenário internacional da publicação científica na direção do acesso aberto, Abel Packer destacou a necessidade de adequação das revistas no que se refere à adoção de preprints e do estabelecimento de normas para a disponibilização de dados, materiais e métodos empregados na elaboração dos artigos.
Entre as conquistas, Abel registrou a indexação de todos os periódicos do SciELO no DOAJ, e como avanços esperados, apontou, em especial, o desenvolvimento de uma ferramenta para editoração de arquivos XML (Texture), que está sendo desenvolvido pelo Substance Consortium, do qual o SciELO é parceiro. Com essa ferramenta, espera-se reduzir os custos de produção das revistas, visto que os artigos já poderiam ser editados em XML JATS pelos próprios autores, e os arquivos em PDF e e-PUB já seriam gerados também automaticamente a partir do XML.
O SciELO também incentiva a presença dos periódicos nas redes sociais, o que contribui decisivamente para ampliar o potencial de citação dos artigos.

Foto 4


Após essa abertura, o evento foi dividido em dois blocos de apresentações:
1)      SciELO: Estado atual e futuro
2)      Alinhamento do SciELO com a Ciência Aberta

Para o primeiro bloco, foram convidados Maria José Tonelli, Editora-Chefe da Revista de Administração de Empresas, Paula Beatriz de Araujo, Editora-Chefe do periódico Nauplius, Paulo Cesar Sentelhas, Editor-Chefe da Scientia Agricola, e Rodrigo Firmino, Editor-Chefe da urbe. Revista Brasileira de Gestão Urbana. Cada um relatou um pouco de sua experiência à frente do fluxo editorial das revistas, oferecendo relatos de suas conquistas, desafios e dificuldades.
O segundo bloco, com foco na ciência aberta, contou com a apresentação de David Mellor, Project Manager do Center of Open Science, que também falou sobre os preprints e fez uma breve apresentação dos Transparency and Openness Promotion (TOP) Guidelines.

Foto 5


Na sequência, apresentaram Marta Teresa da Silva Arretche, Editora-Chefe do Brazilian Political Science Review, Claude Pirmez, Editora-Chefe do Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, Luciene Stamato Delazari, Editora-Chefe do Boletim de Ciências Geodésicas, e Moisés Goldbaum, Editor-Chefe da Revista Brasileira de Epidemiologia.
Todos comentaram os desafios, mas sobretudo destacaram as vantagens para a difusão do conhecimento com a adoção dos preprints e das diretrizes da ciência aberta, tendo em vista que, por um lado, favorece a rapidez na disponibilidade dos dados e, por um lado, permite sua reprodutibilidade e maior confiabilidade.
Como não poderia deixar de ser, a RESS também adere a esse movimento e fará as atualizações necessárias para se adequar às novas exigências do cenário internacional da publicação científica, em consonância com sua missão de difundir o conhecimento epidemiológico aplicável às ações de vigilância, de prevenção e de controle de doenças e agravos de interesse da Saúde Pública, visando ao aprimoramento dos serviços oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Documentos complementares:
Para ver a apresentação de David Mellor, acesse o link: https://osf.io/zshgp/
Para saber mais sobre as TOP Guidelines, acesse: https://cos.io/our-services/top-guidelines/

* Laeticia Jensen Eble – servidora do Ministério da Saúde (MS), integra a Secretaria Executiva da RESS. É bacharel e licenciada em Letras, mestre e doutora em Literatura e Práticas Sociais pela Universidade de Brasília. Pesquisadora do Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea, também é editora da revista Estudos de Literatura Brasileira Contemporânea e da revista Veredas, da Associação Internacional de Lusitanistas. É membro da Brazilian Studies Association, da American Portuguese Studies Association e da Associação Internacional de Lusitanistas. 

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Aplicação do ORCID em artigos científicos



Por Laeticia Jensen Eble* 

Atualmente, é uma tendência mundial que as revistas científicas indiquem o ORCID dos autores nos artigos. Esse recurso permite confirmar a autoria de um trabalho, para que esta seja atribuída corretamente, e aumenta a visibilidade da produção de determinado autor. A partir da primeira edição de 2018, a revista Epidemiologia e Serviços de Saúde passará a incluir o número ORCID (Open Researcher and Contributor ID) dos autores em seus artigos. Por isso, resolvemos publicar aqui no blog um tutorial para auxiliar os autores na tarefa de criação do seu ORCID. Confira as dicas a seguir.

O que é o ORCID?

O ORCID é um identificador digital permanente para o autor e está para o autor assim como o DOI está para um documento digital. Ao fazer seu cadastro no ORCID, o autor recebe um código alfanumérico de 16 caracteres. Por meio desse código, é possível diferenciar os autores entre si, ainda que haja homônimos ou que o autor tenha publicado ou tenha sido citado e/ou indexado com seu nome grafado de formas variadas. O ORCID é interoperável com outros sistemas ID, permitindo importação/exportação de dados. Assim, é possível fazer a conexão automática com toda a produção científica de um determinado autor, onde quer que tenha sido publicada, centralizando a informação disponível.
O cadastro para obtenção do ORCID é gratuito e poderá ser feito individualmente.

Como criar uma conta?

Para fazer seu cadastro, acesse: https://orcid.org/register

Basta preencher um breve formulário com seus dados pessoais para criar uma conta. Após esse passo, é possível fazer o login e alimentar seu perfil com sua biografia e os dados de sua produção.
Observe que, na barra superior do site, é possível selecionar o idioma de sua preferência.

Como preencher meus dados?

Na página inicial de seu perfil, é solicitado ao autor que preencha algumas informações breves sobre sua biografia (figura 1). Para editar, é preciso clicar sobre o ícone com a caneta.

Figura 1


A seguir são oferecidos campos para que o autor possa informar dados de formação, vínculos institucionais, financiamento e os trabalhos publicados.
Em trabalhos publicados, o autor pode inserir as informações manualmente, mas também é possível fazer uma recuperação automática das publicações em bases de dados integradas com o ORCID. Clique em “Adicionar trabalhos” e no menu, selecione “Pesquisar e conectar”. Uma lista de bases é oferecida e, caso o autor tenha trabalhos arquivados nessas bases, ao clicar sobre o nome da base, o usuário é direcionado para o sistema de busca que localiza os trabalhos para que seja possível selecionar aqueles que deseja incluir no ORCID.

Figura 2


No menu à esquerda da tela, por meio da opção “Também conhecido como”, é possível, ainda, inserir as diferentes formas de nome pelas quais o autor é citado, tais como formas abreviadas, nome de solteira, pseudônimos etc. (Figura 3). É preciso clicar sobre a caneta para inserir os nomes. Para adicionar um novo nome, clique no símbolo de + (Figura 4).

Figura 3


Figura 4

Posso importar meus dados do Google Acadêmico?

Autores que já possuem conta no Google Acadêmico (Google Scholar) também podem carregar seus dados de produção a partir daquela base. Para isso, acesse seu perfil no Google Acadêmico, selecione os trabalhos que deseja exportar, e selecione o formato BibTex (Figura 5).

Figura 5


Salve o arquivo em seu computador e, no ORCID, escolha a opção “Conectar BibTex” e selecione o arquivo salvo no computador para importação (Figura 6).

Figura 6


Como incluir meu ORCID no Currículo Lattes?

Os pesquisadores têm também a opção de incluir o ORCID em seu Currículo Lattes.
Para tanto, é preciso seguir os seguintes passos:
1) Faça login na Plataforma Lattes para atualizar o currículo: http://lattes.cnpq.br.
2) No menu superior, na aba “Dados gerais”, selecione o item “Identificação”
3) Na janela que se abre, no menu à esquerda, selecione a opção “Outras bases bibliográficas” e clique em “Inserir nova”.
4) Preencha com o seu número ORCID (apenas os números) e clique em “Validar ID”. Após a validação, clique em “Confirmar”.
5) Envie seu currículo para publicação.

Saiba mais

* Laeticia Jensen Eble – servidora do Ministério da Saúde (MS), integra a Secretaria Executiva da RESS. É bacharel e licenciada em Letras, mestre e doutora em Literatura e Práticas Sociais pela Universidade de Brasília. Pesquisadora do Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea, também é editora da revista Estudos de Literatura Brasileira Contemporânea e da revista Veredas, da Associação Internacional de Lusitanistas. É membro da Brazilian Studies Association, da American Portuguese Studies Association e da Associação Internacional de Lusitanistas. 

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Prêmio RESS Evidencia – 6ª Edição


Prêmio RESS Evidencia foi instituído em 2012 com o objetivo de promover o reconhecimento do melhor artigo original publicado na revista Epidemiologia e Serviços de Saúde: revista do Sistema Único de Saúde do Brasil (RESS) a cada ano.
Dessa forma, a RESS espera incentivar a produção de trabalhos técnico-científicos na área de epidemiologia que contribuam para o aperfeiçoamento das ações e serviços de vigilância, prevenção e controle de doenças e agravos de interesse da Saúde Pública no Brasil. 
Nesta edição, os artigos finalistas foram pré-selecionados pelo Comitê Editorial da RESS entre todos os artigos originais publicados na RESS em 2016.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

8º Congresso internacional de revisão por pares e publicação científica

Foto: Tais Galvão
Por Tais Galvão* 

Nos dias 10 a 12 de setembro de 2017, ocorreu em Chicago, Estados Unidos, o Eighth International Congress on Peer Review and Scientific Publication, promovido pelos periódicos Journal of the American Medical Association (JAMA) e British Medical Journal (BMJ). Eu me interessei em participar desse congresso por recomendação da Editora Geral da RESS, e também por contato com informações sobre o evento (como esse comentário do Dr. Drummond Rennie, um dos idealizadores do evento, que ocorreu a primeira vez em 1989. O congresso ocorre a cada 4 anos e reúne editores, pesquisadores e outras pessoas envolvidas no processo de revisão por pares, com a finalidade de discutir a publicação científica, seus avanços e desafios.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

RESS divulga: Peer Review Week 2017



A semana da revisão por pares é um evento global que celebra o papel essencial que esta etapa de revisão desempenha na manutenção da qualidade científica. É o momento de agregar indivíduos, instituições e organizações empenhadas em compartilhar a mensagem central de que uma boa revisão por pares é fundamental para a publicação científica.
A terceira edição do evento destaca o tema da transparência na revisão por pares e na publicação científica.
A Epidemiologia e Serviços de Saúde: revista do Sistema Único de Saúde do Brasil (RESS) aproveita a oportunidade para agradecer a todas e todos que colaboram como revisores e contribuem para o aprimoramento do conteúdo publicado na revista.
Para saber mais sobre a Peer Review Week 2017 e as atividades previstas: 

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Acesso aos serviços de saúde no Brasil


Por Bruno Pereira Nunes

O acesso aos serviços de saúde é um termo comumente utilizado no contexto do Sistema Único de Saúde (SUS) e das pesquisas sobre avaliação de serviços de saúde. Apesar de muito citado, sua definição e operacionalização em pesquisas é complexa (Travassos e Martins, 2004). Em termos epidemiológicos, o acesso é, normalmente, mensurado pela utilização dos serviços de saúde que representa a proporção de indivíduos que foram atendidos. Os estudos recentes sobre o uso de serviços mostram aumento da utilização no Brasil com redução das diferenças na utilização por indivíduos com distintas condições socioeconômicas (Macinko e Lima-Costa, 2012). Porém a utilização, não evidencia o percentual de pessoas que buscaram atendimento e não conseguiram ser atendidos (Pereira, 1995), também denominada falta de acesso. Alguns artigos científicos vêm explorando a falta de acesso no Brasil mostrando resultados que, percentualmente, são baixos. Por exemplo, em 2013, estudo com dados da PNS, evidenciou baixa prevalência de falta de acesso nos 15 dias anteriores à entrevista (4,5%) mas que representa número importante de indivíduos em termos absolutos. Ao extrapolar os dados para a população brasileira, estima-se que, aproximadamente, um milhão de indivíduos tiveram falta de acesso.
Diferentes questões metodológicas e operacionais sobre a avaliação epidemiológica do acesso aos serviços de saúde (período recordatório das perguntas, validade das questões, validade do relato de falta de acesso e utilização, entre outras) devem ser discutidas para entendermos cada vez mais esse conceito tão citado na área da saúde e importante para a população. A avaliação da temática parece carecer de informações mais detalhadas que avancem no detalhamento do acesso para além da utilização propriamente dita do serviço. Além disso, avaliações locais podem ser úteis para o monitoramento e avaliação do percentual de pessoas sem acesso aos serviços de saúde e, consequente, realização de mudanças especificas segundo a realidade de cada município, já que as diferenças intermunicipais no sistema de saúde são marcantes.


segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Comentário do artigo: Uma análise detalhada de competências para editores científicos de revistas biomédicas

Por Leila P Garcia 

O corpo editorial da Epidemiologia e Serviços de Saúde: revista do Sistema Único de Saúde do Brasil (RESS) é composto pelo núcleo editorial, que inclui a editora geral, a editora executiva e um conjunto de editores e editoras associadas e assistentes, além do comitê editorial, que além de ajudar a definir as políticas editoriais, atua na avaliação final dos manuscritos para publicação.

A atuação da equipe de editores é fundamental para a garantia da qualidade dos periódicos científicos, não apenas em relação a relevância e confiabilidade do conteúdo publicado, mas também quanto a garantia da integridade em todas as etapas do processo editorial, até mesmo após a publicação dos artigos.

Embora os editores tenham papel relevante na publicação científica, são raras as oportunidades de capacitação formal para as competências e habilidades necessárias para sua atuação. Reconhecendo está limitação, Galipeau e colaboradores realizaram uma revisão da literatura com o objetivo de levantar o que se sabe a respeito das competências necessárias aos editores de periódicos científicos da área biomédica, publicada no BMC Medicine em 2016. 

Foram revisadas 225 publicações, abrangendo um período de mais de 60 anos e autores de mais de 20 países, a partir das quais foi levantada uma lista de 203 assertivas relacionadas as competências principais dos editores, que foram organizadas em sete temas: 
1) relação com autores,2) relação com revisores, 3) publicação do periódico,4) promoção do periódico, 5) editoração,6) ética e integridade e 7) qualidades e características dos editores.
A lista resultante da revisão ilustra a complexidade do trabalho editorial e as múltiplas competências requeridas para a atuação dos editores. Conhecer essas competências e aprimorá-las na equipe editorial são formas de contribuir para a constante melhoria da qualidade da revista, que é nossa meta primordial. 

Referencias